Jorge Fonseca de Almeida

Há alguns anos, na Feira do Livro promovida pelo atual Presidente da República nos jardins do Palácio de Belém, ao constatar a total ausência de livros de escritores Negros perguntei a um dos responsáveis sobre o porquê dessa ausência. Caiu o Carmo e a Trindade. Que o racista era eu porque olhava à etnia dos escritores. Eles não. Na verdade, viam tudo branco.

A Literatura Negra tem uma longa e rica tradição, quer em Portugal com nomes como Gomes Leal ou Almada Negreiros, quer no Mundo com diversos Prémios Nobel, mas a sua presença nos escaparates das livrarias é escassa e em muitos casos mesmo nula. É preciso alterar a situação. 

Hoje quero falar, aconselhando vivamente a sua leitura, de um livro admirável que chegou recentemente ao público português: “Se o disseres na Montanha”, de James Baldwin. Aqui segue.

Durante um serviço religioso da Igreja Pentecostal, no ambiente de intenso fervor religioso, os pecados passados e as injustiças sofridas atormentam as mentes, regressam como fantasmas para explicar o presente e explodem nas lágrimas, nos lamentos, nos gritos e nos cânticos de louvor a Deus.

John, um jovem catorze anos imaturo e confuso debate-se dolorosamente com a via a seguir, que caminho escolher para a sua vida. Prostrado em transe profundo, vê desfilar na sua mente imagens tumultuosas e terríveis do pecado a que se sente inclinado mas que simultaneamente tenta repelir. 

A linguagem é viva, sentida, repleta de metáforas e sinais, que nos obrigam a testemunhar vividamente os acontecimentos. Ao abrir os corações dos personagens e ao expô-los verdadeiros cria empatia com todos eles, mesmo com Gabriel, o padrasto terrível e o marido violento. 

O livro excecional, publicado em 1953, que foi adaptado para televisão e está traduzido em numerosas línguas é um clássico da Literatura Mundial.

James Baldwin (1924-1987), considerado o maior escritor Negro americano do século XX, foi escritor e ativista Negro radicado em França e a sua obra reflete sobre os temas do racismo e da homofobia na América. 

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Jorge Fonseca de Almeida, economista, MBA, Mestrado em Organização Comportamento Organizacional pelo ISPA (parte letiva), pós Graduado em Estudos Estratégicos e de Segurança pelo Instituto de Defesa Nacional em colaboração com a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Estudos Avançados de Sociologia pelo ISCTE, Doutorando em Comunicação pela UAL.

Autor dos seguintes livros: Marketing Bancário (com prefácio do Eng. Jardim Gonçalves) Editora Actual (Grupo Almedina), Capital Social, Imprensa Nacional Casa da Moeda, As Elites de Portugal, Edições Vieira da Silva. Coordenador e autor de capítulos de vários outros livros bem como de numerosos artigos de sociologia e economia.

Membro da direção da Associação Portuguesa de Prospectiva (APP) e do Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM). Membro do Conselho Consultivo do Observatório do Mundo Islâmico. Participante ativo no Observatório de Economia e Gestão de Fraude (Obegef) e no Young Toastmasters Club.

Ativista antirracista alinhado com o coletivo Consciência Negra.